terça-feira, 9 de junho de 2009

Surpresa de porco com flan de inhame e farofa de castanha - aventuras em um concurso de culinária


Em 2007 eu e uma amiga, a Joseneide Barros, participamos do concurso de Gastronomia Vitrine do Sabor, promovido pela Estácio de Sá. Aconselho a todos que tiverem a oportunidade a participar de concursos, achei a experiência maravilhosa! Nós estávamos no quarto período e criamos uma receita no papel, sem testar porque estávamos sem tempo, e nos inscrevemos. Ficamos muito contentes de termos sido selecionadas entre os 10 finalistas que deveriam apresentar seus pratos para alguns jurados no dia do evento!

Acordei super mal naquele dia, não havia nem dormido direito pois estava com medo de fazer feio, sabe? Afinal só tínhamos testado o flan em tamanho grande, sem desenformar e não sabíamos se a quantidade seria suficiente para as 7 porções necessárias. A farofa era tranquila para fazer, mas e como arrumar? A carne nem sabíamos direito como ia ser feita... e a montagem do prato? Muitas idéias teóricas, mas sem saber o que ia acontecer, pois nunca tínhamos montado vários pratos iguais antes e ao mesmo tempo... Muita adrenalina!

Cheguei à Estácio para não decepcionar minha amiga, que estava animada e que havia ainda alugado uns pratos quadrados brancos para nós. Por mim tinha desistido e ficado em casa, com vergonha... Na portaria da universidade ainda encontrei um rapaz com uma caixa de plástico toda arrumada com mil coisas: balança, sais, ingredientes exóticos e utensílios que pareciam para gastronomia molecular! E eu com um espremedor de batatas de metal daqueles antigos enfiado em um saco de mercado, um rolo de barbante e meia dúzia de ramekins.

Subi o elevador rindo sozinha e quase me enfiando por debaixo do tapete. O que eu estava fazendo ali?

A preparação do prato trancorreu sem problemas apesar do improviso, éramos umas das últimas duplas para apresentar, o que nos deu um pouco mais de tranquilidade. O flan ficou ótimo e bonito e rendeu exatos 7 ramekins, a carne estava com uma cara boa e o sabor muito bom. Durante o preparo não conseguimos nem prestar muita atenção nos outros de tão nervosas, só alguns flashes me vê à cabeça - os vizinhos descascavam muitos tomates (para que tantos, nos perguntávamos? será que estamos fazendo comida de menos? Alguém do outro lado enformava algum coisa, lembro de alguns feijões, bons aromas e só.

Começamos a montagem sem saber o que fazer com a farofa, que se recusou a ser enformada, por isso ficou meio largada no prato; algum professor nos incentivava dizendo que estava lindo e algúém nos dizia para irmos mais depressa. Minha mão tremia, não conseguia colocar o molho no lugar certo. E qual seria o lugar certo?

Entregamos os pratos aos jurados, que eram vários chefs e pessoas conhecidas. Na hora da apresentação eu disse que era um bolinho de inhame... Algum jurado disse " não chame seu flan de bolinho!" ele está muito bom! Aí que eu tremi mais ainda! "Será mesmo que estão gostando de nosso prato?" Me perguntei.

Ficamos muito contentes por a missão estar cumprida e eu super aliviada de não ter feito feio!! Ufa, nem acreditava que não tínhamos derrubado nada, a comida tinha ficado boa, o prato bonito e ainda recebemos muitos elogios. Já estava bom demais!! Meu dia estava ganho!

Mas mais uma surpresa nos aguardava: ao anunciar os vencedores, lá estávamos nós em primeiríssimo lugar!! Eu nem reagi direito, só o olho que arregalou! Ainda não acreditava. As pessoas tiravam fotos, mas nós não tínhamos levado máquina.

E os prêmiso ainda eram ótimos, acho que nunca havia ganho tantas coisas: avental, touca, um kit de produtos Sadia, uma faca gravada com o nome do concurso, taças de vinho; não consegúiamos nem carregar, tive que dar uma carona para minha amiga. E ainda o melhor: ganhamos cada uma um fim de semana para dois no hotel Le Canton.

Adorei ter participado! O concurso foi uma experiência muito boa, levantou nossa moral e nos deu confiança! Conseguir o primeiro lugar foi ótimo, mas fazer uma comida que chefs renomados e professores aprovaram e elogiaram não tem preço!

Nunca mais fiz a surpresa de porco! Estou até hoje devendo para alguns amigos. A receita está abaixo para quem quiser se aventurar. É fácil de fazer e fica realmente boa.


Eu e Joseneide


Receita - surpresa de porco com flan de inhame e farofa de castanha

Ingredientes da surpresa de porco

1,4 kg de mignon de porco
Sal e pimenta-do-reino a gosto
2 dentes de alho amassados
3 bananas pratas maduras
300 g de bacon em fatias
50 ml de azeite
50 g de manteiga
50 g de melado
100 ml de suco de gengibre
100 ml de cachaça
100 ml de caldo de carne

Modo de preparo da surpresa de porco
Corte a carne de porco no sentido longitudinal para que ela fique fina, como um bife grande. Se necessário bata a carne para afinar um pouco mais e acertar o formato, que deve ficar como um retângulo grande. Tempere com sal, pimenta e alho.
Corte cada banana em quatro no sentido longitudinal, recheie a carne com a banana, enrole a carne e cubra com fatias de bacon, enrolando bem. Amarre com barbante formando um rolo comprido.
Frite os filés em manteiga e azeite até que fiquem bem dourados.
Acrescente a cachaça e flambe, acrescente o melado, o gengibre e o caldo de carne, cozinhe tampado por aproximadamente 15 minutos ou até que a carne fique cozida.
Prove o molho e corrija o sal e pimenta.
Retire o barbante e corte a carne em pedaços individuais e depois corte cada pedaço ao meio, na diagonal.


Ingredientes do flan de inhame
400 g de inhame cozido em água e sal e espremido como para purê
Sal e pimenta-do-reino branca a gosto
Noz moscada a gosto
2 ovos
100 g de creme de leite
125 ml de leite
100 g de queijo minas curado ralado fino
1 gema para pincelar

Modo de preparo do flan de inhame
Misture ao inhame amassado os ovos, o creme de leite, o leite e o queijo minas, tempere com sal, pimenta e noz moscada.
Coloque a mistura em ramekins ou em um refratário untados com manteiga e enfarinhados, pincele o flan com a gema.
Leve ao forno a 180°C por 25 minutos ou até dourar e cozinhar.


Ingredientes da farofa de castanha

2 cenouras pequenas
2 dentes de alho picadinhos
100 g de manteiga
1 xícara de farinha de mandioca crua
1 xícara de farinha de castanha de caju
50 g de castanha do caju torrada e picada grosseiramente
Sal a gosto
Cheiro verde picadinho a gosto

Modo de preparo da farofa

Refogue o alho na manteiga até que comece a dourar, acrescente a cenoura e refogue bem até que cozinhe.
Acrescente as farinhas e a castanha, mexa bem e deixe esquentar e tostar a gosto. Tempere com sal e adicione o cheiro verde.

sábado, 6 de junho de 2009

Penne com couve-flor e brocolis

Couve-flor e brocolis é uma combinação tradicional e muito boa !! Consegui até comprar uma metade de cada verdura em uma só embalagem, muito prático. Esta receita minha mãe comeu em algum lugar e há tempos me pedia para fazer. A receita original não tenho, por isso fiz à minha moda.

O resultado ficou ótimo e facil de fazer!

Ingredientes

1 pacote de penne ou a massa de sua preferência
1 metade de couve-flor (ou uma pequena)
1 metade de brocolis americano (ou um pequeno)
500 ml de creme de leite fresco (ou duas latas)
1 cebola pequena picadinha
1 colher de sopa de manteiga
200 g de presunto picado (usei presunto de frango)
Noz moscada a gosto
Sal e pimenta-do-reino a gosto
100 g de queijo parmesão ralado

Modo de preparo

Separe a couve e o brocolis em flores pequenas e cozinhe em água e sal até ficar ao dente, escorra e reserve.
Cozinhe o penne em água e sal. Enquanto ele cozinha prepare o molho.
Refogue a cebola na manteiga até ficar trasnparente, acrescente o creme de leite, o parmesão, o presunto e deixe ferver. Acrescente a couve-flor e o brocolis, tempere com noz moscada e com sal.
Sirva assim que a massa estiver cozida.

Canjica vegana e sem lactose


Esta receita foi um teste que fiz com o leite condensado de soja. É claro que o produto não é igual, nem tão bom quanto o leite condensado original, mas pode ser muito útil para quem é vegano ou tem alguma intolerência à lactose, como eu.

A casa de minha avó sempre teve canjica e eu nunca consegui comer. Na verdade só fui provar canjica já bem velha, faz poucos anos e não gostei! Minha avó usava vários litros de leite para fazer canjica, que ficava bem branquinha e cremosa... Linda! E muito boa diziam todos! Mas para mim não servia... kkkk Eu olhava para ela e não conseguia comer... Um dia provei uma canjica feita por minha sogra e achei boa! Comparei as duas e vi que a diferença era o leite, minha sogra, baiana, capricha no leite de coco e como consequência usa pouco leite de vaca.

A partir deste dia comecei a preparar canjica com leite de coco e leite condensado (cheio de lactose, mas que eu gosto, vai entender!) e sem leite. Minha mãe antes de comer acrescenta leite em pó... kkkkk

Com a chegada das festas juninas e lendo uma revista vegetariana tive a inspiração para trocar o leite condensado original pelo de soja da foto abaixo.


O resultado ficou bom, a cor um pouco acinzentada, pois o soymilke é cinza - por isso utilizo um pouco mais de leite de coco - e o cheiro estranho - enquanto fervia o aroma parecia de pipoca doce de micro-ondas... É o aromatizante, que não precisava ser tão forte! Mas depois fica quase imperceptível.

Ingredientes

1 pacote de milho branco para canjica
2 latas de leite condensado de soja
800 ml de leite de coco
2 xícaras de açúcar
5 cravos
2 paus de canela

Modo de preparo

Cozinhe a canjica com água, os cravos e a canela por aproximadamente 50 minutos ou até que o milho fique bem macio. Acrescente o leite condensado, o leite de coco e o açúcar e deixe cozinhar até engrossar a gosto. Sirva quente polvilhada com canela.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Musse de chocolate


Esta receita de musse é a minha preferida, sobremesa de chocolate divina, simples de fazer e que agrada a todos. É feita com chocolate em barra e ovos crus, o que me obriga a fazer uma advertência:

Ovos crus podem conter salmonela, bactéria que causa diarréia e faz mal à saúde, não devem ser consumidos por pessoas debilitadas, crianças ou idosos. Ovos crus e mal passados são proibidos em estabelecimentos comerciais pelas leis da vigilância sanitária.

Se você for uma pessoa gulosa , exigente e que gosta de viver perigosamente, esta musse é para você!

Ingredientes

5 ovos separados
1 xícara de açúcar
100 g de manteiga
170 g de chocolate em barra meio amargo
1 dose de whisky ou a bebida alcoólica de sua preferência

Modo de preparo

Derreta em banho-maria o chocolate com a manteiga como na foto abaixo.


Bata as claras em neve, acrescente 1/4 da xícara de açúcar e bata um pouco mais, reserve. Bata as gemas com 3/4 do açúcar até ficarem bem esbranquiçadas.

Misture as gemas batidas com o chocolate derretido e o whisky como na foto abaixo.


Delicadamente incorpore as claras em neve.


Já está pronta!!


Coloque em taças individuais ou em uma saladeira Leve à geladeira por no mínino 4 horas, eu gosto de fazer de véspera. Sirva gelada. Fica ótima com creme ou sorvete!

Se você quiser uma musse mais escura e mais firme utilize um pouco mais de chocolate na receita. Não utilize chocolate ao leite porque a musse não dá ponto e fica com consistência mole.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Curiosidade - será que os americanos comem muito mesmo?


Esta foto foi tirada faz uns 2 anos na casa de uma amigo americano em Nova York. Ele não é obeso nem come demais, mas diz que é muito mais barato comprar comida nestas embalagens imensas!! Só que uma vez em casa, o incentivo ao consumo é muito maior!! Veja a comparação com o saleiro e pimenteiro que são de tamanho normal para ter uma idéia do absurdo, parecem embalagens institucionais!

O interessante é que são embalagens vendidas normalmente em mercados comuns e encontradas na maioria das casas americanas onde estive. Por isso a geladeira deles também costuma ser grande... Este pote de ketchup duraria uns 10 anos aqui em casa!

A margarina e o Nesquick - que não está na foto e tinha 2 kg! - ele comprou para nós; nos hospedamos na casa dele uns 4 anos seguidos (coitado!) e lá estava a margarina na geladeira... kkkkkkk Tivemos que jogar foram pois já estava passando da validade fazia tempos...

O suco de maçã fui eu mesma que comprei, quase 4 litros e não desperdicei nenhuma gota, pelo contrário, tive que comprar outro... Gostaria muito que nossos sucos prontos custassem menos e viesem em embalagens maiores, 1 litro é muito pouco por R$ 4,00! O suco de maçã americano custou U$ 3 e pouco...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pimenta preta e pimenta do reino: são a mesma coisa? Conheça!



A pimenta-do-reino é conhecida como o rei das especiarias e é o condimento mais conhecido, produzido e usado no mundo desde a antiguidade. Sim! Pimenta do reino também é chamada popularmente por pimenta preta (ou black pepper em inglês), ou seja, são a mesma pimenta. Leia abaixo para conhecê-la melhor.


A história por trás do rei das especiarias



A pimenta foi um dos primeiros itens de comércio entre o oriente e a Europa, onde era conhecida desde antes de Cristo. À sua procura os homens travaram guerras e derramaram sangue, mas também se lançaram em incríveis viagens e conquistas e fizeram fantásticas descobertas, como a das Américas. Houve uma época em que seu peso valia o mesmo que o ouro, foi usada como dinheiro para pagar aluguéis, dotes e tributos e era presenteadas a reis.

Hoje em dia perdeu o glamour, mas continua sendo usada diariamente por quase todos os povos, muitas vezes de forma invisível, como nos alimentos processados, mas sempre presente!




A pimenta é o fruto de uma trepadeira originária da Índia e é tradicionalmente cultivada junto a outras árvores. Hoje em dia é produzida por diversos países, entre eles o Brasil, que é um dos seus maiores produtores.

Esses cachos das fotos foram fotografados no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que tem alguns exemplares bem pequenos no setor de plantas medicinais. Veja o cacho com frutos, que lindinho! Em uma produção comercial eles chegam a mais de 10 cm de comprimento.




As pimentas de melhor qualidade são as secas ao sol, da mesma forma que eram processadas há centenas de anos. Existem mais de 20 classificações para a pimenta-do-reino e as mais conhecidas recebem nomes de acordo com o local onde são produzidas. A preta da Índia, chamada de tellichery, é considerada a de melhor qualidade possuindo aroma frutado. A pimenta Muntok, da Indonésia é considerada a melhor pimenta branca.

A pimenta do reino não é só preta. Ela pode ser branca, verde ou até vermelha, e cada cor tem um sabor e uso diferente na cozinha. Veja como usar cada uma delas neste post. diferentes cores da pimenta-do-reino e sua utilização na Gastronomia
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